sábado, 31 de dezembro de 2011

Minhas utopias para 2012




 UTOPIAS PARA 2012

Essa deliciosa música de Tom Zé acompanha minhas utopias para 2012. 
Sim, utopias, porque desejos, tenho todos os dias...
Então tenho o sonho que em 2012 a felicidade se espalhe sobre os homens.
Sonho que as pessoas sejam mais compreensivas.
Sonho que as pessoas sejam mais capazes de perdoar, e que façam isso com sinceridade.
Que sejamos tolerantes com as diferenças, por maiores que elas sejam e que, assim,  os preconceitos sejam abolidos de vez.
Que continuemos a nos indignar perante e injustiça, a violência, a indignidade, mas que a indignação não seja mais suficiente para acalmar nossos corações, que possamos atuar para que não tenhamos mais com o que nos indignar.
Sonho com a possibilidade de viver em um mundo verdadeiramente democrático, no qual não se busque o desejo da maioria, mas o bem de cada um.
Sonho com um mundo no qual a Ética seja a palavra que comanda as ações.
É, termino 2011 partilhando minhas utopias.
Porque a felicidade é bem mais particular.
Ela é cheia de a, é cheia de é, é cheia de i, é cheia de  ó, é cheia de u......



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sobre violência (ou violências)


A violência me assusta. 
Ela assume muitas faces - a mais óbvia, a da maldade. 
Somos bombardeados por ela todos os dias nos noticiários da TV, na internet, nas conversas na sala do cafezinho. 
A face má da violência nos assusta, oprime... 
Nós a reconhecemos facilmente e podemos afirmar, quase sem pensar, que a queremos bem longe de nós e daqueles que amamos.
Mas a violência tem outra face, nem sempre óbvia - aquela que vem travestida do discurso da justiça, do combate à maldade. 
E, para tanto, a solução violenta parece que se torna razoável, aceitável, e porque não dizer, louvável. 
É a violência que aparentemente seria justiicada.
Não há justificativa  para a violência.
Quem propõe o ato violento como forma de fazer justiça se iguala ao que o pratica por maldade. 
Porque, na verdade, não busca a justiça, mas a vingança.
Porque será que isso parece tão difícil de ser entendido?

domingo, 13 de novembro de 2011

Envelhecendo?



Aí, um dia, você acorda e se pergunta: e agora? Era aqui que eu queria estar? Era essa a pessoa que eu queria ser?
Fico olhando as pessoas a minha volta, pessoas que são parte da minha história, passada e atual, e vejo que estamos todos envelhecendo.
O tempo ninguém segura.
Sim, estamos bem! Estamos inteiros, vivos, fazendo coisas, construindo e reconstruindo nossa vida.
Sonhando...
Mas sim, estamos mais velhos...
Isso muitas vezes é assustador, como se a vida estivesse em correria, ladeira abaixo, sem freio.
Nunca tive medo de morrer, continuo não tendo. Mas envelhecer...
Não por conta de beleza, não tenho nenhum sonho de juventude eterna. É outro medo que não sei ao certo, e que se concretiza no envelhecimento das minhas referências de vida -  meus pais, amigos, artistas favoritos, mestres...
Minhas gírias estão envelhecendo, minhas expressões, minhas histórias...
Um misto de saudade do antigo misturada à curiosidade do novo, mas um sentimento que minhas referências estão mais ligadas ao antigo do que caminhando para o novo.
É, tenho 51 anos...

domingo, 16 de outubro de 2011

Blog Action Day - FOME


A fome doi. Doi fisicamente, doi psicologicamente, doi moralmente.
A fome é um dos maiores exemplos da indignidade a que alguém pode estar submetido.
A fome é inadmissível! E é problema de todos nós.
Nós que desperdiçamos tantos alimentos no nosso dia-a-dia. Conforme reportagem publicada pelo UOL um estudo do Tompkins County, NY, mostrou que 40% do desperdício de alimento ocorre em casa. Outro estudo, realizado pelo Cornell University Food and Brand Lab, descobriu que 93% dos entrevistados reconheceram comprar alimentos que nunca consumiam.
Reduzir o  desperdício de alimentos em um mundo  em que tantos não tem o que comer já é um grande passo, nem tão dificil!

sábado, 8 de outubro de 2011

Criança

Minha foto de quadrinhos na semana da criança no Facebook!

Criança é gente! Gente total, gente completa. 
Criança não é vir-a-ser, não é projeto de futuro.
Criança não será, criança é.
Então por que se preocupar com seu futuro?
Porque hoje ela é criança, amanhã será adolescente, depois adulto, velho...
A cada momento de nossa história vamos agregando experiências, vamos aprendendo...
Algumas coisas levamos conosco por toda a vida - as lembranças, aprendizados da infância.
Outras descartamos - não cabe tudo na malinha que arrastamos pela vida.
Algumas coisas são muito pesadas, só iam atrapalhar. 
Outras tem prazo de validade, senão jogarmos fora apodrecem e acabam estragando tudo o que encostar nelas.
Sabe o que é mais legal de ser criança? 
É que na infância somos inteiros, plenos, completos, mas temos uma mala enorme, com poucas coisas dentro.
Uma mala levinha, que podemos levar sem dificuldade de um lado para outro, quase como um brinquedo.
Sim, existem crianças que desde cedo recebem coisas meio podres e pesadas para colocar na sua mala.
Há que ajudá-las a abrir a mala e jogar essas coisas bem longe, para dar espaço ao que realmente vale a pena carregar.
Penso que quando ficar velhinha vou querer jogar uma porção de coisas fora também, para poder levar minha mala, bem mais levinha pela vida afora...

domingo, 11 de setembro de 2011

11 DE SETEMBRO 2001 - 2011


11 de setembro, dez anos dos atentados às torres gêmeas.
Não partilho das ideias de que o fato de os EUA (e o mundo) relembrarem o fato e homenagearem as vítimas seja um exagero, ou um descaso com outros tão graves atentados à humanidade. Cada fato tem seu peso.
Tenho lido que “as pessoas ficam lembrando o 11 de setembro, mas e as vítimas de Hiroshima e Nagazaki”? “E a fome e o genocídio na África”? “Estamos sendo manipulados pela mídia” (e aí vem o velho e antiquado movimento “fora Rede Globo”, que a gente ouvia lá na época da ditadura, e agora, em tempo de internet e mídia globalizada soa até ingênuo).
Sinto aí o velho cheiro do antiamericanismo. Como se as tragédias norte americanas fossem, se alguma maneira, merecidas por conta daquelas que norte americanos causaram.
Tragédias são tragédias, vidas humanas são vidas humanas. Perdidas nos atentados terroristas, nas guerras, nos genocídios, pela fome, pela violência, cada vida humana é importante e insubstituível.
O que aconteceu nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 foi uma tragédia que deve sim, ser lembrada e ser chorada, pois foi mais um momento em que o ódio de alguns trouxe sofrimento para muitos inocentes.
Obviamente houve uma distorção na resposta aos atentados. A geração de uma guerra motivada pelo desejo de vingança foi um erro histórico da era Bush, que inclusive, passado o impacto do atentado terrorista, os próprios norte americanos condenaram.
Mas, independente disso, os americanos têm sim todo o direito de chorar e homenagear seus mortos, e o mundo inteiro não pode negar que esse atentado mudou a história da humanidade. O mundo depois de 11 de setembro de 2001 nunca mais foi o mesmo. 
Talvez pessoas muito jovens, que eram crianças em 2001, não consigam entender a magnitude do atentado, e o quanto ele afetou a todos nós. Valeria à pena estudar, se informar, porque podem não saber, mas suas vidas foram afetadas, sem volta, por esse fato.
Todo meu pesar e toda minha solidariedade às famílias das vítimas do atentado.
Todo o meu pesar e toda minha solidariedade a todos que, direta ou indiretamente, sofrem até hoje as consequências do fanatismo e da insanidade daqueles que se dizem “seus governantes”, “seus líderes”, “seus gurus”.
Que cada vítima da intolerância e da ganância pelo poder possa ter o direito de ser chorada, seja na intimidade de seu lar, seja pela TV ou pela internet em rede mundial!
E que as pequenas intolerâncias que vemos hoje, manifestadas, por exemplo, em discursos “antiamericanos” e outros, possam ser tão combatidas quanto as grandes intolerâncias, pois são também nefastas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Nostalgia


Tem dias que tenho saudade de coisas indefinidas. 
De músicas, de cheiros, de lugares.
Aquela saudade nostálgica, carregada de recordações.
Aquela saudade melancólica de coisas que ficaram perdidas em algum lugar, no tempo.
Hoje estou assim, nostálgica.
Com vontade de ouvir músicas da minha juventude.
De lembrar de momentos da infância.
A sensação do tempo escorrendo por entre meus dedos, grãos de areia que não posso segurar...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Tanta caretice....


Quem diria que a evolução dos tempos e dos costumes iria nos jogar no meio da caretice, no meio da babaquice?
Ouço coisas no século XXI que deveriam ter sido esquecidas no século XIX... 
Preconceito, intolerância, dogmatismo. 
Discursos que usam a religião para sustentar ideias que já eram para ter sido esquecidas, superadas.
Gente gritando nas esquinas que isso ou aquilo é errado, que jeitos de ser devem ser abolidos.
Quanta caretice, meu Deus, quanta babaquice...
Juro que achava que o século XXI traria a pós-modernidade.
O que vejo é a pós-idade média.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

NADA!


Vontade de escrever, mesmo sem ter um assunto definido.
Tanto assunto por aí, e eu aqui querendo escrever sobre nada.
Às vezes gosto disso de nada - pensar nada, fazer nada, escrever sobre nada...
Nada!
Engraçado que nada não me dá sensação de vazio, de solidão...
Nada me dá sensação de paz, de silêncio, de sossego.
Tão bom ter nada para fazer...
Tão bom se preocupar com nada...
Tão bom e tão raro!
Assim, dedico esse texto à divina sensação de nada!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Invasões, limites e liberdade


O que são limites? 
Parece que, de alguma forma, perdemos a noção do que seja limite. 
Em um mundo no qual o espaço virtual aceita tudo e a mídia confunde liberdade de expressão com autorização para tudo, ando assustada.
Pertenço a uma geração que viveu sob ditadura, logo sei muito bem o quão preciosa é a liberdade, e a defendo a cada dia.
Mas também defendo o respeito à dignidade humana, aos sentimentos alheios, à privacidade quando essa é desejada.
Falo disso pois hoje me choquei com uma notícia: "humoristas" (assim eles se intitulam) invadiram o funeral de uma jovem artista, apenas pelo gostinho de provar que podem entrar em qualquer lugar que queiram. 
Um deles se auto-intitula "invasor"...
Acho que não há pior forma de relacionamento humano do que o relacionamento invasivo, aquele que desconhece as barreiras tão necessárias à preservação do espaço (interno e externo) de cada um.
E nesse suposto "humorismo", ser invasor é algo de que o sujeito se vangloria!
Não reconheço essa liberdade como legítima, acredito que a verdadeira liberdade não nos limita, mas reconhece limites, pois a verdadeira liberdade nos leva à construção de sociedades e relações melhores.
Não defendo, nunca defendi e nunca defenderei qualquer tipo de censura. 
Se eles querem continuar fazendo esse tipo de "humor", que façam, sempre haverá uma plateia pronta para aplaudir qualquer coisa.
Mas sinceramente não consigo entender...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

cat

sábado, 16 de julho de 2011

caminhar?


Não sei do sentimento que me move.
Não sei...
Sei que caminho. Para onde? Quem sabe...
Às vezes penso que não importa muito para onde se vá, desde que não se fique parado.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Desamparo...


Comecei o dia, como sempre, lendo os jornais.
Às vezes tenho vontade de mudar esse hábito, embora o considere essencial para permanecer conectada com a vida.
Nunca fui adepta da estratégia do avestruz: frente ao perigo, enterre a cabeça na areia.
Mas hoje, a primeira notícia que li foi: menina de 10 anos morre por não receber a medicação de uso contínuo a que tinha direito por ordem judicial. Como é possível isso? Como a burocracia da importação de medicamentos pelo governo pode ser mais importante do que a vida de uma criança de dez anos? Não entra na minha cabeça...
E daí me veio a constatação do desamparo...
Desamparo de cada um de nós como sujeito e de todos nós como sociedade.
Vejo, e já falei disso aqui, as pessoas "marchando" reivindicando uma suposta liberdade, mas como ser livre frente ao túmulo de uma menina de dez anos de idade que morreu vítima do desamparo?
Pelo que marcharemos hoje?
O que diremos a essa mãe?
O que diremos à mãe do menino de 11 anos baleado por policiais, que teve seu corpo escondido e que nem pode ser adequadamente chorado por sua família, porque essa, agora, encontra-se escondida, desamparada, pois os matadores estão soltos e tem poder e a família do garoto tem só sua dor e seu medo.
O que diremos a nós mesmos frente a tanto sofrimento?
Sinto minha alma sem força para compreender.
A revolta já não me alimenta mais.
Resta a sensação de desamparo...

sábado, 25 de junho de 2011

Passagem


A  vida passa  entre os dedos, como areia.
As pessoas passam pela vida como pés de vento.
As alegrias passam pela gente como pedrinhas de gelo no sol.
E nós aqui perdendo tempo com mágoas, com lembranças ruins.
Gastando momentos preciosos pensando no que não foi, no que poderia ter sido...
Prefiro esquecer e caminhar.
A vida é hoje.

Geraldo Azevedo: corra, não pare, não pense demais. Repare essas pedras no cais, que a vida é cigana.
É caravana, é pedra de gelo ao sol....

sábado, 18 de junho de 2011

Sozinha....


Estar sozinho é um estado de espírito.
Não falo da solidão física, aquela que dói pela ausência do outro.
Falo de estar só internamente.
Com algo que é inatingível pelo outro e, portanto, irrevogavelmente solitário.
A solidão necessária ao contato consigo mesmo.
A solidão carregada dos sons internos, das vozes inaudíveis na multidão.
Gosto dessa solidão que me permite ouvir a mim mesma.
Ela me conforta e aquece...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Marchando...


Interessante essa da moda das marchas. 
A partir de uma convocação em ambiente virtual as pessoas saem e marcham.
Marcham para reivindicar a liberdade de fumar o que quiserem onde e quando quiserem,
Marcham para reivindicar a liberdade de marchar onde quiserem reivindicando o que quiserem.
Marcham...
Engraçado - tempos atrás, talvez tempos mais politizados, não sei, saíamos em passeatas. 
Passeata lembra passeio, passos. Eram passeios duros, porém cheios de esperança, de ideologia.
Os adversários marchavam, pisando duro em seus coturnos.
Nós passeávamos.
Hoje todos marcham...
Infelizmente não vejo ninguém marchar contra a corrupção
Ninguém marchar em protesto pelas mortes de inocentes por balas perdidas
Não vejo marchas reivindicando qualidade na saúde ou na educação... 
Essas marchas não comportariam trios elétricos, ou churrascos.
Seriam talvez marchas tristes, marchas duras como as passeatas de antes.
De que liberdade será que falam?
Que liberdade é essa que reivindicam em tempo de fala solta na internet?
Em tempos de tanta indignidade e desigualdade eu me sentiria mais a vontade nas passeatas duras do que nas marchas festivas... 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os sentidos


Os sentidos nos envolvem,
Nos enganam.
Os sentidos nos movem,
Nos paralisam.
Os sentidos ouvem
cheiram
tocam
vêem
Os sentidos tem sabor.
Ah, o sabor de sentir...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Sobre prosear, segundo Rubem Alves


Diz Rubem Alves: 

"Prosear é um jeito de falar. 
Fala sem objetivo definido, como o vôo dos urubus - indo ao sabor do vento. 
Palavras fluindo. Um jeito taoísta de ser. 
Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. 
A prosa não quer chegar a nenhum lugar. 
A prosa encontra sua felicidade em prosear. 
Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. 
'A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia', Guimarães Rosa. 
Prosear é brincar com as palavras."

Nossa, como Rubem Alves me ajuda a explicar o que esse espaço significa para mim.
Espaço de pensamento solto, de ideias que vagam por aí, e que eu puxo para que pousem em algum lugar, mesmo que virtual.
Gosto de me alimentar de ideias, e gosto de escrevê-las, de relê-las um tempo depois.
É como um construir e reconstruir caminhos.
Realmente, a prosa não tem ordem!  

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dor

A dimensão da dor é algo que me intriga. 
A dor se apodera de nós, dói subliminarmente, dói discretamente, mas está lá, constante.
Fingimos que ela não existe, sorrimos, alongamos as costas, mudamos levemente de posição, 
pensamos em outras coisas...
Nos distraímos da dor e, por alguns momentos, acreditamos que ela se foi.
Mas não, que iludidos estamos.
A dor está lá, escondida atrás de uma porta, embaixo da cama, dentro de uma gaveta.
E quando menos esperamos ela salta à nossa frente, rindo vitoriosa.
E dói...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Desafio


O que me desafia?
O medo me desafia, superá-lo é sempre uma luta.
A aceitação do outro é um desafio. Olhar e lutar contra a tentação de julgar.
Minha impaciência me desafia, entender que as coisas não acontecem necessariamente no meu tempo.
Superar minha tendência à solidão, meu desejo do silêncio, certa quedinha para a melancolia... 
Abrir as portas internas e me permitir um tanto de exposição...
Meus sonhos me desafiam diariamente.
E porque eu sonho eu olho para frente
E caminho. Mesmo com medo, mesmo impaciente.
Mesmo segurando minhas portas para que não fechem nem se escancarem...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sexta feira


Qual a magia das sextas feiras?
Esperamos por elas ansiosamente.  Porque será?
Não odiamos (pelo menos não todos nós) os nossos trabalhos ou estudos.
Mas sim, desejamos ansiosamente as sextas feiras...
O que esperamos do final de semana?
Descanso?
Prazer?
Redenção?
Encontros?
Que felicidade é essa que se almeja e que só cabe em dois dias da semana?
Não sei...
Mas mesmo assim continuamos a desejar ardentemente o final de semana.
Mesmo que esse seja carregado de compromissos.
Mesmo que esse não traga nenhuma novidade.
É apenas um final de semana, composto de dois dias.
Mas como o desejamos! 
Como esperamos por ele!
E como nos lamentamos por ele passar tão rápido.
É, precisamos dele, por mais que seja breve...
Por mais que seja vazio...
Por mais que seja o mesmo...
Precisamos dele porque acreditamos que é, finalmente um tempo nosso!
E como precisamos de um tempo nosso...

domingo, 15 de maio de 2011

Calma


A vida pede calma.
Mas, ao mesmo tempo, a vida rouba a calma.
Agitação, pressa, urgência.
Barulho, impaciência, intolerância...
O vida nos desafia a cada momento, tentando nos impor um jeito de estar no mundo.
Nem sempre conseguimos dizer:
Não! 
Espera um pouco... 
Não posso.
Calma...
Tenho necessidade de calma, e essa calma tem que ser interna, para poder olhar o mundo do meu jeito.

domingo, 8 de maio de 2011

Maternidade


Há muitas formas de exercer a maternidade. 
A mais óbvia é pela geração do filho - gestar, parir, criar...
Mas há outras formas: a adoção, filhos escolhidos pelo coração, gestados de outra maneira...
Há ainda a maternagem de irmãos, sobrinhos. 
Eu me sinto um pouco mãe de minha sobrinha, por quem tenho um amor tão profundo que penso que se assemelha ao amor de mãe.
Existem ainda as maternagens temporárias, como as que vivi com algumas crianças que atendi e vivo hoje com alunos (com alguns de forma mais concreta, outros nem tanto).
Mas a idéia de cuidado que envolve a imagem de mãe penso que seja o mais bonito da maternidade, o que mais nos sensibiliza.
A idéia do amor incondicional (irreal, pois todo amor é condicionado), a fantasia da presença e proteção perenes...
Sim, a imagem do amor materno é linda!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

As faces da violência

O Grito - Munch

Tenho muita dificuldade em lidar com a violência, seja qual for.
E a violência se manifesta em muitas formas: palavras, olhares, gestos, ações.
A violência explícita me incomoda, não consigo encará-la, nem na ficção - não assisto filmes violentos.
Mas e a violência implícita? Aquela que está escondida nos sorrisos cordiais, nas falas aparentemente corteses, nos comportamento supostamente educados?
Como nos defender da violência dos olhares, dos gestos, dos sorrisos falsos?
Como nos defender da violência daqueles que tramam pelas costas, com sorrisos entre dentes?
Talvez seja essa violência que mais me amedronte...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O ódio



O ódio é uma doença contagiosa e incurável.
O ódio encobre a visão.
O ódio desfaz os laços, mesmo quando esses pareciam muito apertados.
O ódio corroe a alma.
O ódio destrói a esperança.
O ódio é só o ódio. E para o ódio isso basta...

Deus nos proteja do ódio...

domingo, 1 de maio de 2011

Exposição e privacidade


O uso das redes sociais está globalizado. Todos temos orkut, facebook, twitter, linkedin e por aí vai.
Estamos no meio virtual nos comunicando, trocando ideias e ideais, expondo nossas opiniões e convicções.
Considero esses espaços fundamentais em tempos de vida corrida, de relógios apertados, de solidões forçadas pelas grandes cidades.
Nas redes sociais podemos encontrar e reencontrar, aprender, conhecer, sorrir, se divertir, se emocionar, discutir, polemizar...
Mas as redes sociais não foram feitas para o anonimato, para a privacidade, muito pelo contrário,foram feitas para a exposição.
E aí começa o desafio: o que expor? Até onde ir? No espaço virtual às vezes pensamos estar na sala de nossas casas, e nos expomos com o senso de privacidade que pertence às paredes do lar.
Mas isso é uma ilusão! No espaço virtual estamos na janela, ou, mais ainda, no meio da praça. É um big brother do qual escolhemos participar. Mas como participantes de um jogo é preciso ter malícia, é preciso saber o que eu quero transferir da minha sala de estar para o meio da praça.
Porque a praça é pública, e o que eu exponho lá ficará marcado, agregado à minha imagem.
Que imagem cada um de nós deseja tornar pública?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Romantismo


Hoje foi o dia do casamento real. Sim, sei que a monarquia tem coisas ultrapassadas, sei que se questiona o quanto a Inglaterra gasta para sustentar a realeza e todas as questões políticas e racionais. Sei de tudo isso.
Mas hoje quero dar espaço para a menina que se encanta com o conto da princesa encantada, que encontra seu príncipe e vive feliz para sempre...
Era uma vez....
Era uma vez uma quantidade enorme de pessoas que acreditam que o romantismo vale a pena, que passaram algumas horas na frente da TV assistindo um casamento, emocionando-se com a tradição e a pompa da realeza, vivendo o sonho do príncipe que beija a futura princesa e a acorda para serem felizes para sempre.
Era uma vez uma multidão de pessoas que acredita que vale a pena sonhar, em meio a um mundo tão repleto da massacrante realidade.
E para essas pessoas, trago uma música que amo: Românticos, de Vander Lee:


Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...

Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...

São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...

Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!


terça-feira, 26 de abril de 2011

Parar...


Parar! Parar como? Parar por que? 
Às vezes tenho vontade de parar, desligar, interromper. 
Tenho vontade de paralisar o tempo, suspender o calendário, congelar o relógio. 
Simplesmente parar...


domingo, 24 de abril de 2011

Liberdade

Liberdade é uma palavra bonita, carregada de sentidos. É uma busca, uma utopia.
Ser livre...

Penso a liberdade como algo interno, da ordem da alma.
Os corpos não podem ser livres.
Eles são, inapelavelmente, prisioneiros dos olhares - próprios e alheios.
Mas a alma...
Ah, a alma é invisível, intocável.
A alma pode ser livre se assim o desejarmos.
Quanto mais o tempo passa mais permito a liberdade de minha alma, enquanto, frente aos olhos, meu corpo continua prisioneiro...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Mistérios


Ouvi  logo pela manhã a música Mistérios. Sempre amei essa música, e cada vez que a ouço a letra faz mais sentido. Como a vida é repleta de mistérios, como algumas vezes é preciso tentar desvendar alguns deles para poder seguir...
Existem alguns mistérios que me perseguem e que eu, por mais que tente, não consigo aprender como desvendá-los - as ações de algumas pessoas, o que as motiva a agir em detrimento do sentimento e dignidade de outras é um dos que atualmente tem me incomodado...


Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo prá te incendiar

Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio prá me levar
Preciso aprender os mistérios do rio prá te navegar

Vida breve
Natureza
Quem mandou, coração

Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou prá me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo prá te ensinar...

(Mauricio Maestro e Joice)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Humanos

Guernica (Picasso)

Direitos Humanos, humanos direitos... essa discussão me acompanhou hoje. Fico extremamente irritada com essa discussão, como se pudesse haver uma distinção entre quem é humano ou não; como se algumas pessoas pudessem se dar ao direito de destituir outras da sua condição de humanidade.
Sim, entendo que alguns fatos que vemos nos chocam, que certas atitudes nos levam a questionar o quanto de humanidade resta em algumas pessoas. Convivemos com crueldade, injustiça, com desigualdade e indignidade.
São situações que nos afetam e, tantas vezes, fazem com que questionemos a ética que deveria nortear as relações humanas.
Mas não é possível que aceitemos a ideia de que a vingança é um caminho.Não é possível que continuemos ouvindo essa ladainha fascista, que prega uma concepção de sociedade dividida entre bons e maus.
Sim, sou a favor da justiça, acho que ela deve ser suficientemente rígida para que a sensação de impunidade não nos persiga. Mas justiça pressupõe que não nos nivelemos por baixo, pressupõe que aqueles que escolhem o caminho da vida correta e digna não se tornem violentos e cruéis como aqueles a quem criticam.
Direitos Humanos para todos, justiça para todos, Ética acima de tudo... é o que penso.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

momentos

Sabe aqueles momentos em que você percebe que não tem controle sobre nada? Que pode até fazer planos, imaginar o futuro, mas, na verdade, não tem a menor ideia do que vai acontecer no seu futuiro?
Pois é, a vida é assim...
A gente caminha, pensa que está escolhendo caminhos, pensa que está caminhando em uma direção certa e, de repente, tudo volta a ficar incerto.
Confesso, isso é assustador...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Só a bailarina que não tem....

Estou com essa música me acompanhando desde ontem. Procurando bem todo mundo tem problemas, só a bailarina que não tem...
A bailarina dos palcos vive em um mundo mágico, de sonho, no qual as luzes são perfeitas, os movimentos harmonizam com a música, que invariavelmente é linda.
Nesse mundo mágico não existe dor, nada de problemas, injustiças. Não existem preocupações, a vida fica suspensa em momentos de pura beleza.
Mas, infelizmente ou felizmente, a vida real acontece fora do palco, nos bastidores, entre saias rodadas e bandaids nos calcanhares, entre disputas pelo posto de primeira bailarina e felicidade de, apenas, estar na linha do coro...
É, a vida real pode não ser mágica, mas tem lá seu fascínio.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

DESATINO

O dicionário nos ensina que desatino é ausência de tino, de bom senso, de juízo. Desatino significa, ainda desvario, loucura...
Quando nos deparamos com um ato de desatino, principalmente quando esse ato causa dor em pessoas inocentes, nos entregamos à perplexidade. Muitas vezes, esse ato nos causa sentimentos de desesperança... não conheço sentimento mais destrutivo que a desesperança.
Penso que a desesperança, muitas vezes, alimenta o desatino, afoga o bom senso, fortalece o desvario.
Assim, tento lutar contra a desesperança, mesmo nos momentos de maior perplexidade frente ao inexplicável, pois acho que desistir de acreditar, de lutar, de sonhar é, talvez, o maior de todos os desatinos...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Inspiração

De onde vem a inspiração? De um som? Uma imagem? Um pensamento Um sentimento? De onde vem?
Inspiração... inspirar, trazer para dentro, alimentar de ar... depois expirar as ideias.
Minha inspiração me alimenta de ar, nem sempre fresco, pelo contrário, muitas vezes quente, pesado... ar poluído.
Tenho guardado minha poluição dentro de mim, não quero que ela contamine o ambiente. Mas como evitar que ela me contamine?

terça-feira, 5 de abril de 2011

CORRENTE


Mande essa mensagem para 10 pessoas e algo acontecerá. Mande essa  imagem para quinze pessoas e peça que mandem para outras quinze incluindo você -se você receber de volta é porque tem amigos, é amado, as pessoas se importam...
Quando eu era criança colocavam envelopes com correntes por baixo da porta, com ameaças terríveis caso a corrente fosse quebrada. Minha mãe sempre quebrava as correntes e nada acontecia. Essas correntes eram anônimas, ninguém colocava seu nome no remetente do envelope.
Hoje as pessoas mandam as correntes de seus próprios emails; já não fazem ameaças terríveis, mas prometem felicidades, amizades e amores, prometem desejos realizados...
O que leva as pessoas a repassarem essas mensagens? Que tipo de sentimento, credulidade...
Sempre achei interessante a imagem da corrente, cujos elos precisam estar ligados para que ela seja, de verdade, uma corrente e não apenas um punhado de rodelinhas. Uma corrente quando arrebenta se enfraquece, perde sua função...
As correntes virtuais, no entanto,são frágeis pela sua própria imaterialidade, feitas de argolas descontroladas, sem sequencia. São apenas o desejo de ser corrente.
Será que é isso que motiva as pessoas a repassarem as correntes, sem a proteção do anonimato de antigamente? O desejo de não ser apenas uma argola, mas um elo?

sábado, 2 de abril de 2011

VIDA


Dizia John Lennon que a vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos. Hoje as coisas vividas me fizeram pensar sobre a vida, e sobre o final biológico da vida. Sim, hoje estou pensando sobre a morte.
A morte bate em mim de maneiras estranhas, mas sempre me pega pelo sentimento de impotência - impotência frente à perda, impotência frente ao meu sofrimento, impotência frente ao sofrimento do outro.
A morte me pega pelo definitivo.
Sim, acredito em uma outra vida, talvez espiritual, tanto que converso sistematicamente com algumas pessoas que não estão mais aqui, concretamente, que não me pertencem mais no campo físico, mas que sinto que me acompanham.
Mas a perda física, a perda da voz, do cheiro, do toque, ah, essa é, por vezes, intolerável...
Talvez por isso cada vez mais me incorporo da certeza da fluidez da vida e da necessidade de vivê-la.
Simples assim...
E viva Cazuza, que viveu!

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

quinta-feira, 31 de março de 2011

Navegar


Gosto da vida que caminha, passo a passo, dia a dia. Gosto do jeito da vida que se insinua entre os dias que se sucedem. Gosto do conhecido da vida, que se prevê nas asas do cotidiano. Mas gosto mais do impreciso, do novo, do inesperado.
O novo nos pinta com o fogo, nos carrega com o vento, nos arrebata como um furacão.
Gosto de me sentir arrebatada.
"Navegar é preciso, viver (felizmente) não é preciso"- navegar supõe rotas, bússola, depende de precisão. Já viver é impreciso, é surpreendente...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Silêncio


Ando carente de silêncio. O burburinho, o falatório, a urgência barulhenta do dia-a-dia me incomodam cada vez mais.
Minha alma pede calma, pede sossego, pede tranquilidade.
Meus dias andam atribulados, cheios de sons que soam de maneira desconexa, desafinada.
Ando perdida da minha música interna e, talvez por isso, em busca do silêncio.

Antes de existir computador existia tevê
antes de existir tevê existia luz elétrica
antes de existir luz elétrica existia bicicleta
antes de existir bicicleta existia enciclopédia
antes de existir enciclopédia existia alfabeto
antes de existir alfabeto existia a voz
antes de existir a voz existia o silêncio
  o silêncio
foi a primeira coisa que existiu
um silêncio que ninguém ouviu
astro pelo céu em movimento
e o som do gelo derretendo
o barulho do cabelo em crescimento
e a música do vento
e a matéria em decomposição
a barriga digerindo o pão
explosão de semente sob o chão
diamante nascendo do carvão
homem pedra planta bicho flor
luz elétrica tevê computador
batedeira, liquidificador
vamos ouvir esse silêncio meu amor
amplificado no amplificador
do estetoscópio do doutor
no lado esquerdo do peito, esse tambor
(Arnaldo Antunes)

terça-feira, 22 de março de 2011

Tempo

Salvador Dali
Dia de expressar sentimentos que estavam guardados, dividir.
Como partilhar algo que é tão íntimo, tão pessoal?
Como tornar objetivo algo que só existe na subjetividade?
Sentimento vivido, digerido, guardado...
É interessante observar que certas sensações não desaparecem com o tempo, apenas mudam de lugar. Ganham outras cores, nuances, ocupam um outro espaço de tempo - tempo interno.
O tempo é soberano. Sei que essa frase não é nova, mas tem dias, como hoje, em que ela faz mais sentido.
Para o tempo, trago a Oração ao Tempo...              

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
(Caetano Veloso)