11 de setembro, dez anos dos atentados às torres gêmeas.
Não partilho das ideias de que o fato de os EUA (e o mundo) relembrarem o fato e homenagearem as vítimas seja um exagero, ou um descaso com outros tão graves atentados à humanidade. Cada fato tem seu peso.
Tenho lido que “as pessoas ficam lembrando o 11 de setembro, mas e as vítimas de Hiroshima e Nagazaki”? “E a fome e o genocídio na África”? “Estamos sendo manipulados pela mídia” (e aí vem o velho e antiquado movimento “fora Rede Globo”, que a gente ouvia lá na época da ditadura, e agora, em tempo de internet e mídia globalizada soa até ingênuo).
Sinto aí o velho cheiro do antiamericanismo. Como se as tragédias norte americanas fossem, se alguma maneira, merecidas por conta daquelas que norte americanos causaram.
Tragédias são tragédias, vidas humanas são vidas humanas. Perdidas nos atentados terroristas, nas guerras, nos genocídios, pela fome, pela violência, cada vida humana é importante e insubstituível.
O que aconteceu nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 foi uma tragédia que deve sim, ser lembrada e ser chorada, pois foi mais um momento em que o ódio de alguns trouxe sofrimento para muitos inocentes.
Obviamente houve uma distorção na resposta aos atentados. A geração de uma guerra motivada pelo desejo de vingança foi um erro histórico da era Bush, que inclusive, passado o impacto do atentado terrorista, os próprios norte americanos condenaram.
Mas, independente disso, os americanos têm sim todo o direito de chorar e homenagear seus mortos, e o mundo inteiro não pode negar que esse atentado mudou a história da humanidade. O mundo depois de 11 de setembro de 2001 nunca mais foi o mesmo.
Talvez pessoas muito jovens, que eram crianças em 2001, não consigam entender a magnitude do atentado, e o quanto ele afetou a todos nós. Valeria à pena estudar, se informar, porque podem não saber, mas suas vidas foram afetadas, sem volta, por esse fato.
Todo meu pesar e toda minha solidariedade às famílias das vítimas do atentado.
Todo o meu pesar e toda minha solidariedade a todos que, direta ou indiretamente, sofrem até hoje as consequências do fanatismo e da insanidade daqueles que se dizem “seus governantes”, “seus líderes”, “seus gurus”.
Que cada vítima da intolerância e da ganância pelo poder possa ter o direito de ser chorada, seja na intimidade de seu lar, seja pela TV ou pela internet em rede mundial!
E que as pequenas intolerâncias que vemos hoje, manifestadas, por exemplo, em discursos “antiamericanos” e outros, possam ser tão combatidas quanto as grandes intolerâncias, pois são também nefastas.