sexta-feira, 29 de abril de 2011

Romantismo


Hoje foi o dia do casamento real. Sim, sei que a monarquia tem coisas ultrapassadas, sei que se questiona o quanto a Inglaterra gasta para sustentar a realeza e todas as questões políticas e racionais. Sei de tudo isso.
Mas hoje quero dar espaço para a menina que se encanta com o conto da princesa encantada, que encontra seu príncipe e vive feliz para sempre...
Era uma vez....
Era uma vez uma quantidade enorme de pessoas que acreditam que o romantismo vale a pena, que passaram algumas horas na frente da TV assistindo um casamento, emocionando-se com a tradição e a pompa da realeza, vivendo o sonho do príncipe que beija a futura princesa e a acorda para serem felizes para sempre.
Era uma vez uma multidão de pessoas que acredita que vale a pena sonhar, em meio a um mundo tão repleto da massacrante realidade.
E para essas pessoas, trago uma música que amo: Românticos, de Vander Lee:


Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...

Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...

São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...

Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!


terça-feira, 26 de abril de 2011

Parar...


Parar! Parar como? Parar por que? 
Às vezes tenho vontade de parar, desligar, interromper. 
Tenho vontade de paralisar o tempo, suspender o calendário, congelar o relógio. 
Simplesmente parar...


domingo, 24 de abril de 2011

Liberdade

Liberdade é uma palavra bonita, carregada de sentidos. É uma busca, uma utopia.
Ser livre...

Penso a liberdade como algo interno, da ordem da alma.
Os corpos não podem ser livres.
Eles são, inapelavelmente, prisioneiros dos olhares - próprios e alheios.
Mas a alma...
Ah, a alma é invisível, intocável.
A alma pode ser livre se assim o desejarmos.
Quanto mais o tempo passa mais permito a liberdade de minha alma, enquanto, frente aos olhos, meu corpo continua prisioneiro...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Mistérios


Ouvi  logo pela manhã a música Mistérios. Sempre amei essa música, e cada vez que a ouço a letra faz mais sentido. Como a vida é repleta de mistérios, como algumas vezes é preciso tentar desvendar alguns deles para poder seguir...
Existem alguns mistérios que me perseguem e que eu, por mais que tente, não consigo aprender como desvendá-los - as ações de algumas pessoas, o que as motiva a agir em detrimento do sentimento e dignidade de outras é um dos que atualmente tem me incomodado...


Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo prá te incendiar

Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio prá me levar
Preciso aprender os mistérios do rio prá te navegar

Vida breve
Natureza
Quem mandou, coração

Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou prá me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo prá te ensinar...

(Mauricio Maestro e Joice)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Humanos

Guernica (Picasso)

Direitos Humanos, humanos direitos... essa discussão me acompanhou hoje. Fico extremamente irritada com essa discussão, como se pudesse haver uma distinção entre quem é humano ou não; como se algumas pessoas pudessem se dar ao direito de destituir outras da sua condição de humanidade.
Sim, entendo que alguns fatos que vemos nos chocam, que certas atitudes nos levam a questionar o quanto de humanidade resta em algumas pessoas. Convivemos com crueldade, injustiça, com desigualdade e indignidade.
São situações que nos afetam e, tantas vezes, fazem com que questionemos a ética que deveria nortear as relações humanas.
Mas não é possível que aceitemos a ideia de que a vingança é um caminho.Não é possível que continuemos ouvindo essa ladainha fascista, que prega uma concepção de sociedade dividida entre bons e maus.
Sim, sou a favor da justiça, acho que ela deve ser suficientemente rígida para que a sensação de impunidade não nos persiga. Mas justiça pressupõe que não nos nivelemos por baixo, pressupõe que aqueles que escolhem o caminho da vida correta e digna não se tornem violentos e cruéis como aqueles a quem criticam.
Direitos Humanos para todos, justiça para todos, Ética acima de tudo... é o que penso.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

momentos

Sabe aqueles momentos em que você percebe que não tem controle sobre nada? Que pode até fazer planos, imaginar o futuro, mas, na verdade, não tem a menor ideia do que vai acontecer no seu futuiro?
Pois é, a vida é assim...
A gente caminha, pensa que está escolhendo caminhos, pensa que está caminhando em uma direção certa e, de repente, tudo volta a ficar incerto.
Confesso, isso é assustador...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Só a bailarina que não tem....

Estou com essa música me acompanhando desde ontem. Procurando bem todo mundo tem problemas, só a bailarina que não tem...
A bailarina dos palcos vive em um mundo mágico, de sonho, no qual as luzes são perfeitas, os movimentos harmonizam com a música, que invariavelmente é linda.
Nesse mundo mágico não existe dor, nada de problemas, injustiças. Não existem preocupações, a vida fica suspensa em momentos de pura beleza.
Mas, infelizmente ou felizmente, a vida real acontece fora do palco, nos bastidores, entre saias rodadas e bandaids nos calcanhares, entre disputas pelo posto de primeira bailarina e felicidade de, apenas, estar na linha do coro...
É, a vida real pode não ser mágica, mas tem lá seu fascínio.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

DESATINO

O dicionário nos ensina que desatino é ausência de tino, de bom senso, de juízo. Desatino significa, ainda desvario, loucura...
Quando nos deparamos com um ato de desatino, principalmente quando esse ato causa dor em pessoas inocentes, nos entregamos à perplexidade. Muitas vezes, esse ato nos causa sentimentos de desesperança... não conheço sentimento mais destrutivo que a desesperança.
Penso que a desesperança, muitas vezes, alimenta o desatino, afoga o bom senso, fortalece o desvario.
Assim, tento lutar contra a desesperança, mesmo nos momentos de maior perplexidade frente ao inexplicável, pois acho que desistir de acreditar, de lutar, de sonhar é, talvez, o maior de todos os desatinos...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Inspiração

De onde vem a inspiração? De um som? Uma imagem? Um pensamento Um sentimento? De onde vem?
Inspiração... inspirar, trazer para dentro, alimentar de ar... depois expirar as ideias.
Minha inspiração me alimenta de ar, nem sempre fresco, pelo contrário, muitas vezes quente, pesado... ar poluído.
Tenho guardado minha poluição dentro de mim, não quero que ela contamine o ambiente. Mas como evitar que ela me contamine?

terça-feira, 5 de abril de 2011

CORRENTE


Mande essa mensagem para 10 pessoas e algo acontecerá. Mande essa  imagem para quinze pessoas e peça que mandem para outras quinze incluindo você -se você receber de volta é porque tem amigos, é amado, as pessoas se importam...
Quando eu era criança colocavam envelopes com correntes por baixo da porta, com ameaças terríveis caso a corrente fosse quebrada. Minha mãe sempre quebrava as correntes e nada acontecia. Essas correntes eram anônimas, ninguém colocava seu nome no remetente do envelope.
Hoje as pessoas mandam as correntes de seus próprios emails; já não fazem ameaças terríveis, mas prometem felicidades, amizades e amores, prometem desejos realizados...
O que leva as pessoas a repassarem essas mensagens? Que tipo de sentimento, credulidade...
Sempre achei interessante a imagem da corrente, cujos elos precisam estar ligados para que ela seja, de verdade, uma corrente e não apenas um punhado de rodelinhas. Uma corrente quando arrebenta se enfraquece, perde sua função...
As correntes virtuais, no entanto,são frágeis pela sua própria imaterialidade, feitas de argolas descontroladas, sem sequencia. São apenas o desejo de ser corrente.
Será que é isso que motiva as pessoas a repassarem as correntes, sem a proteção do anonimato de antigamente? O desejo de não ser apenas uma argola, mas um elo?

sábado, 2 de abril de 2011

VIDA


Dizia John Lennon que a vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos. Hoje as coisas vividas me fizeram pensar sobre a vida, e sobre o final biológico da vida. Sim, hoje estou pensando sobre a morte.
A morte bate em mim de maneiras estranhas, mas sempre me pega pelo sentimento de impotência - impotência frente à perda, impotência frente ao meu sofrimento, impotência frente ao sofrimento do outro.
A morte me pega pelo definitivo.
Sim, acredito em uma outra vida, talvez espiritual, tanto que converso sistematicamente com algumas pessoas que não estão mais aqui, concretamente, que não me pertencem mais no campo físico, mas que sinto que me acompanham.
Mas a perda física, a perda da voz, do cheiro, do toque, ah, essa é, por vezes, intolerável...
Talvez por isso cada vez mais me incorporo da certeza da fluidez da vida e da necessidade de vivê-la.
Simples assim...
E viva Cazuza, que viveu!

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa