terça-feira, 26 de julho de 2011

Invasões, limites e liberdade


O que são limites? 
Parece que, de alguma forma, perdemos a noção do que seja limite. 
Em um mundo no qual o espaço virtual aceita tudo e a mídia confunde liberdade de expressão com autorização para tudo, ando assustada.
Pertenço a uma geração que viveu sob ditadura, logo sei muito bem o quão preciosa é a liberdade, e a defendo a cada dia.
Mas também defendo o respeito à dignidade humana, aos sentimentos alheios, à privacidade quando essa é desejada.
Falo disso pois hoje me choquei com uma notícia: "humoristas" (assim eles se intitulam) invadiram o funeral de uma jovem artista, apenas pelo gostinho de provar que podem entrar em qualquer lugar que queiram. 
Um deles se auto-intitula "invasor"...
Acho que não há pior forma de relacionamento humano do que o relacionamento invasivo, aquele que desconhece as barreiras tão necessárias à preservação do espaço (interno e externo) de cada um.
E nesse suposto "humorismo", ser invasor é algo de que o sujeito se vangloria!
Não reconheço essa liberdade como legítima, acredito que a verdadeira liberdade não nos limita, mas reconhece limites, pois a verdadeira liberdade nos leva à construção de sociedades e relações melhores.
Não defendo, nunca defendi e nunca defenderei qualquer tipo de censura. 
Se eles querem continuar fazendo esse tipo de "humor", que façam, sempre haverá uma plateia pronta para aplaudir qualquer coisa.
Mas sinceramente não consigo entender...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

cat

sábado, 16 de julho de 2011

caminhar?


Não sei do sentimento que me move.
Não sei...
Sei que caminho. Para onde? Quem sabe...
Às vezes penso que não importa muito para onde se vá, desde que não se fique parado.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Desamparo...


Comecei o dia, como sempre, lendo os jornais.
Às vezes tenho vontade de mudar esse hábito, embora o considere essencial para permanecer conectada com a vida.
Nunca fui adepta da estratégia do avestruz: frente ao perigo, enterre a cabeça na areia.
Mas hoje, a primeira notícia que li foi: menina de 10 anos morre por não receber a medicação de uso contínuo a que tinha direito por ordem judicial. Como é possível isso? Como a burocracia da importação de medicamentos pelo governo pode ser mais importante do que a vida de uma criança de dez anos? Não entra na minha cabeça...
E daí me veio a constatação do desamparo...
Desamparo de cada um de nós como sujeito e de todos nós como sociedade.
Vejo, e já falei disso aqui, as pessoas "marchando" reivindicando uma suposta liberdade, mas como ser livre frente ao túmulo de uma menina de dez anos de idade que morreu vítima do desamparo?
Pelo que marcharemos hoje?
O que diremos a essa mãe?
O que diremos à mãe do menino de 11 anos baleado por policiais, que teve seu corpo escondido e que nem pode ser adequadamente chorado por sua família, porque essa, agora, encontra-se escondida, desamparada, pois os matadores estão soltos e tem poder e a família do garoto tem só sua dor e seu medo.
O que diremos a nós mesmos frente a tanto sofrimento?
Sinto minha alma sem força para compreender.
A revolta já não me alimenta mais.
Resta a sensação de desamparo...