Comecei o dia, como sempre, lendo os jornais.
Às vezes tenho vontade de mudar esse hábito, embora o considere essencial para permanecer conectada com a vida.
Nunca fui adepta da estratégia do avestruz: frente ao perigo, enterre a cabeça na areia.
Mas hoje, a primeira notícia que li foi: menina de 10 anos morre por não receber a medicação de uso contínuo a que tinha direito por ordem judicial. Como é possível isso? Como a burocracia da importação de medicamentos pelo governo pode ser mais importante do que a vida de uma criança de dez anos? Não entra na minha cabeça...
E daí me veio a constatação do desamparo...
Desamparo de cada um de nós como sujeito e de todos nós como sociedade.
Vejo, e já falei disso aqui, as pessoas "marchando" reivindicando uma suposta liberdade, mas como ser livre frente ao túmulo de uma menina de dez anos de idade que morreu vítima do desamparo?
Pelo que marcharemos hoje?
O que diremos a essa mãe?
O que diremos à mãe do menino de 11 anos baleado por policiais, que teve seu corpo escondido e que nem pode ser adequadamente chorado por sua família, porque essa, agora, encontra-se escondida, desamparada, pois os matadores estão soltos e tem poder e a família do garoto tem só sua dor e seu medo.
O que diremos a nós mesmos frente a tanto sofrimento?
Sinto minha alma sem força para compreender.
A revolta já não me alimenta mais.
Resta a sensação de desamparo...
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