terça-feira, 31 de maio de 2011

Sobre prosear, segundo Rubem Alves


Diz Rubem Alves: 

"Prosear é um jeito de falar. 
Fala sem objetivo definido, como o vôo dos urubus - indo ao sabor do vento. 
Palavras fluindo. Um jeito taoísta de ser. 
Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. 
A prosa não quer chegar a nenhum lugar. 
A prosa encontra sua felicidade em prosear. 
Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. 
'A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia', Guimarães Rosa. 
Prosear é brincar com as palavras."

Nossa, como Rubem Alves me ajuda a explicar o que esse espaço significa para mim.
Espaço de pensamento solto, de ideias que vagam por aí, e que eu puxo para que pousem em algum lugar, mesmo que virtual.
Gosto de me alimentar de ideias, e gosto de escrevê-las, de relê-las um tempo depois.
É como um construir e reconstruir caminhos.
Realmente, a prosa não tem ordem!  

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dor

A dimensão da dor é algo que me intriga. 
A dor se apodera de nós, dói subliminarmente, dói discretamente, mas está lá, constante.
Fingimos que ela não existe, sorrimos, alongamos as costas, mudamos levemente de posição, 
pensamos em outras coisas...
Nos distraímos da dor e, por alguns momentos, acreditamos que ela se foi.
Mas não, que iludidos estamos.
A dor está lá, escondida atrás de uma porta, embaixo da cama, dentro de uma gaveta.
E quando menos esperamos ela salta à nossa frente, rindo vitoriosa.
E dói...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Desafio


O que me desafia?
O medo me desafia, superá-lo é sempre uma luta.
A aceitação do outro é um desafio. Olhar e lutar contra a tentação de julgar.
Minha impaciência me desafia, entender que as coisas não acontecem necessariamente no meu tempo.
Superar minha tendência à solidão, meu desejo do silêncio, certa quedinha para a melancolia... 
Abrir as portas internas e me permitir um tanto de exposição...
Meus sonhos me desafiam diariamente.
E porque eu sonho eu olho para frente
E caminho. Mesmo com medo, mesmo impaciente.
Mesmo segurando minhas portas para que não fechem nem se escancarem...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sexta feira


Qual a magia das sextas feiras?
Esperamos por elas ansiosamente.  Porque será?
Não odiamos (pelo menos não todos nós) os nossos trabalhos ou estudos.
Mas sim, desejamos ansiosamente as sextas feiras...
O que esperamos do final de semana?
Descanso?
Prazer?
Redenção?
Encontros?
Que felicidade é essa que se almeja e que só cabe em dois dias da semana?
Não sei...
Mas mesmo assim continuamos a desejar ardentemente o final de semana.
Mesmo que esse seja carregado de compromissos.
Mesmo que esse não traga nenhuma novidade.
É apenas um final de semana, composto de dois dias.
Mas como o desejamos! 
Como esperamos por ele!
E como nos lamentamos por ele passar tão rápido.
É, precisamos dele, por mais que seja breve...
Por mais que seja vazio...
Por mais que seja o mesmo...
Precisamos dele porque acreditamos que é, finalmente um tempo nosso!
E como precisamos de um tempo nosso...

domingo, 15 de maio de 2011

Calma


A vida pede calma.
Mas, ao mesmo tempo, a vida rouba a calma.
Agitação, pressa, urgência.
Barulho, impaciência, intolerância...
O vida nos desafia a cada momento, tentando nos impor um jeito de estar no mundo.
Nem sempre conseguimos dizer:
Não! 
Espera um pouco... 
Não posso.
Calma...
Tenho necessidade de calma, e essa calma tem que ser interna, para poder olhar o mundo do meu jeito.

domingo, 8 de maio de 2011

Maternidade


Há muitas formas de exercer a maternidade. 
A mais óbvia é pela geração do filho - gestar, parir, criar...
Mas há outras formas: a adoção, filhos escolhidos pelo coração, gestados de outra maneira...
Há ainda a maternagem de irmãos, sobrinhos. 
Eu me sinto um pouco mãe de minha sobrinha, por quem tenho um amor tão profundo que penso que se assemelha ao amor de mãe.
Existem ainda as maternagens temporárias, como as que vivi com algumas crianças que atendi e vivo hoje com alunos (com alguns de forma mais concreta, outros nem tanto).
Mas a idéia de cuidado que envolve a imagem de mãe penso que seja o mais bonito da maternidade, o que mais nos sensibiliza.
A idéia do amor incondicional (irreal, pois todo amor é condicionado), a fantasia da presença e proteção perenes...
Sim, a imagem do amor materno é linda!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

As faces da violência

O Grito - Munch

Tenho muita dificuldade em lidar com a violência, seja qual for.
E a violência se manifesta em muitas formas: palavras, olhares, gestos, ações.
A violência explícita me incomoda, não consigo encará-la, nem na ficção - não assisto filmes violentos.
Mas e a violência implícita? Aquela que está escondida nos sorrisos cordiais, nas falas aparentemente corteses, nos comportamento supostamente educados?
Como nos defender da violência dos olhares, dos gestos, dos sorrisos falsos?
Como nos defender da violência daqueles que tramam pelas costas, com sorrisos entre dentes?
Talvez seja essa violência que mais me amedronte...