sábado, 25 de junho de 2011

Passagem


A  vida passa  entre os dedos, como areia.
As pessoas passam pela vida como pés de vento.
As alegrias passam pela gente como pedrinhas de gelo no sol.
E nós aqui perdendo tempo com mágoas, com lembranças ruins.
Gastando momentos preciosos pensando no que não foi, no que poderia ter sido...
Prefiro esquecer e caminhar.
A vida é hoje.

Geraldo Azevedo: corra, não pare, não pense demais. Repare essas pedras no cais, que a vida é cigana.
É caravana, é pedra de gelo ao sol....

sábado, 18 de junho de 2011

Sozinha....


Estar sozinho é um estado de espírito.
Não falo da solidão física, aquela que dói pela ausência do outro.
Falo de estar só internamente.
Com algo que é inatingível pelo outro e, portanto, irrevogavelmente solitário.
A solidão necessária ao contato consigo mesmo.
A solidão carregada dos sons internos, das vozes inaudíveis na multidão.
Gosto dessa solidão que me permite ouvir a mim mesma.
Ela me conforta e aquece...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Marchando...


Interessante essa da moda das marchas. 
A partir de uma convocação em ambiente virtual as pessoas saem e marcham.
Marcham para reivindicar a liberdade de fumar o que quiserem onde e quando quiserem,
Marcham para reivindicar a liberdade de marchar onde quiserem reivindicando o que quiserem.
Marcham...
Engraçado - tempos atrás, talvez tempos mais politizados, não sei, saíamos em passeatas. 
Passeata lembra passeio, passos. Eram passeios duros, porém cheios de esperança, de ideologia.
Os adversários marchavam, pisando duro em seus coturnos.
Nós passeávamos.
Hoje todos marcham...
Infelizmente não vejo ninguém marchar contra a corrupção
Ninguém marchar em protesto pelas mortes de inocentes por balas perdidas
Não vejo marchas reivindicando qualidade na saúde ou na educação... 
Essas marchas não comportariam trios elétricos, ou churrascos.
Seriam talvez marchas tristes, marchas duras como as passeatas de antes.
De que liberdade será que falam?
Que liberdade é essa que reivindicam em tempo de fala solta na internet?
Em tempos de tanta indignidade e desigualdade eu me sentiria mais a vontade nas passeatas duras do que nas marchas festivas... 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os sentidos


Os sentidos nos envolvem,
Nos enganam.
Os sentidos nos movem,
Nos paralisam.
Os sentidos ouvem
cheiram
tocam
vêem
Os sentidos tem sabor.
Ah, o sabor de sentir...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Sobre prosear, segundo Rubem Alves


Diz Rubem Alves: 

"Prosear é um jeito de falar. 
Fala sem objetivo definido, como o vôo dos urubus - indo ao sabor do vento. 
Palavras fluindo. Um jeito taoísta de ser. 
Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. 
A prosa não quer chegar a nenhum lugar. 
A prosa encontra sua felicidade em prosear. 
Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. 
'A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia', Guimarães Rosa. 
Prosear é brincar com as palavras."

Nossa, como Rubem Alves me ajuda a explicar o que esse espaço significa para mim.
Espaço de pensamento solto, de ideias que vagam por aí, e que eu puxo para que pousem em algum lugar, mesmo que virtual.
Gosto de me alimentar de ideias, e gosto de escrevê-las, de relê-las um tempo depois.
É como um construir e reconstruir caminhos.
Realmente, a prosa não tem ordem!  

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dor

A dimensão da dor é algo que me intriga. 
A dor se apodera de nós, dói subliminarmente, dói discretamente, mas está lá, constante.
Fingimos que ela não existe, sorrimos, alongamos as costas, mudamos levemente de posição, 
pensamos em outras coisas...
Nos distraímos da dor e, por alguns momentos, acreditamos que ela se foi.
Mas não, que iludidos estamos.
A dor está lá, escondida atrás de uma porta, embaixo da cama, dentro de uma gaveta.
E quando menos esperamos ela salta à nossa frente, rindo vitoriosa.
E dói...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Desafio


O que me desafia?
O medo me desafia, superá-lo é sempre uma luta.
A aceitação do outro é um desafio. Olhar e lutar contra a tentação de julgar.
Minha impaciência me desafia, entender que as coisas não acontecem necessariamente no meu tempo.
Superar minha tendência à solidão, meu desejo do silêncio, certa quedinha para a melancolia... 
Abrir as portas internas e me permitir um tanto de exposição...
Meus sonhos me desafiam diariamente.
E porque eu sonho eu olho para frente
E caminho. Mesmo com medo, mesmo impaciente.
Mesmo segurando minhas portas para que não fechem nem se escancarem...