terça-feira, 22 de maio de 2012

Sobre julgamentos...




Fico bastante intrigada com a forma como as pessoas reagem aos fatos. Com a facilidade com que julgam, condenam e pronto. Quase todo mundo parece ter uma firme opinião formada sobre as coisas, e, principalmente, sobre as pessoas – essa é boa, aquela é falsa, aquela outra, obviamente, é marketeira, só quer aparecer...
Que coisa incrível a capacidade que temos de apontar o dedo para os outros e, sobre eles, derramar toda nossa sabedoria, regras, julgamentos. Sentar na cadeira do juiz e de lá declarar: você está condenado, porque eu acredito, a partir de meus próprios valores, que você é culpado. E pronto.
E seguimos nosso caminho, felizes e realizados, certos de sermos pessoas conscientes, sérias, de opinião firme e imbatível.
Deus me livre dessa seriedade, dessa opinião firme, dessa capacidade de julgar!
Prefiro me manter no lugar de quem observa e evita julgar à distância.
Gosto de pensar que cada um traz dentro de si um universo e me faz muito mais realizada observar esse universo do que reduzi-lo às minhas próprias convicções.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Minhas utopias para 2012




 UTOPIAS PARA 2012

Essa deliciosa música de Tom Zé acompanha minhas utopias para 2012. 
Sim, utopias, porque desejos, tenho todos os dias...
Então tenho o sonho que em 2012 a felicidade se espalhe sobre os homens.
Sonho que as pessoas sejam mais compreensivas.
Sonho que as pessoas sejam mais capazes de perdoar, e que façam isso com sinceridade.
Que sejamos tolerantes com as diferenças, por maiores que elas sejam e que, assim,  os preconceitos sejam abolidos de vez.
Que continuemos a nos indignar perante e injustiça, a violência, a indignidade, mas que a indignação não seja mais suficiente para acalmar nossos corações, que possamos atuar para que não tenhamos mais com o que nos indignar.
Sonho com a possibilidade de viver em um mundo verdadeiramente democrático, no qual não se busque o desejo da maioria, mas o bem de cada um.
Sonho com um mundo no qual a Ética seja a palavra que comanda as ações.
É, termino 2011 partilhando minhas utopias.
Porque a felicidade é bem mais particular.
Ela é cheia de a, é cheia de é, é cheia de i, é cheia de  ó, é cheia de u......



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sobre violência (ou violências)


A violência me assusta. 
Ela assume muitas faces - a mais óbvia, a da maldade. 
Somos bombardeados por ela todos os dias nos noticiários da TV, na internet, nas conversas na sala do cafezinho. 
A face má da violência nos assusta, oprime... 
Nós a reconhecemos facilmente e podemos afirmar, quase sem pensar, que a queremos bem longe de nós e daqueles que amamos.
Mas a violência tem outra face, nem sempre óbvia - aquela que vem travestida do discurso da justiça, do combate à maldade. 
E, para tanto, a solução violenta parece que se torna razoável, aceitável, e porque não dizer, louvável. 
É a violência que aparentemente seria justiicada.
Não há justificativa  para a violência.
Quem propõe o ato violento como forma de fazer justiça se iguala ao que o pratica por maldade. 
Porque, na verdade, não busca a justiça, mas a vingança.
Porque será que isso parece tão difícil de ser entendido?

domingo, 13 de novembro de 2011

Envelhecendo?



Aí, um dia, você acorda e se pergunta: e agora? Era aqui que eu queria estar? Era essa a pessoa que eu queria ser?
Fico olhando as pessoas a minha volta, pessoas que são parte da minha história, passada e atual, e vejo que estamos todos envelhecendo.
O tempo ninguém segura.
Sim, estamos bem! Estamos inteiros, vivos, fazendo coisas, construindo e reconstruindo nossa vida.
Sonhando...
Mas sim, estamos mais velhos...
Isso muitas vezes é assustador, como se a vida estivesse em correria, ladeira abaixo, sem freio.
Nunca tive medo de morrer, continuo não tendo. Mas envelhecer...
Não por conta de beleza, não tenho nenhum sonho de juventude eterna. É outro medo que não sei ao certo, e que se concretiza no envelhecimento das minhas referências de vida -  meus pais, amigos, artistas favoritos, mestres...
Minhas gírias estão envelhecendo, minhas expressões, minhas histórias...
Um misto de saudade do antigo misturada à curiosidade do novo, mas um sentimento que minhas referências estão mais ligadas ao antigo do que caminhando para o novo.
É, tenho 51 anos...

domingo, 16 de outubro de 2011

Blog Action Day - FOME


A fome doi. Doi fisicamente, doi psicologicamente, doi moralmente.
A fome é um dos maiores exemplos da indignidade a que alguém pode estar submetido.
A fome é inadmissível! E é problema de todos nós.
Nós que desperdiçamos tantos alimentos no nosso dia-a-dia. Conforme reportagem publicada pelo UOL um estudo do Tompkins County, NY, mostrou que 40% do desperdício de alimento ocorre em casa. Outro estudo, realizado pelo Cornell University Food and Brand Lab, descobriu que 93% dos entrevistados reconheceram comprar alimentos que nunca consumiam.
Reduzir o  desperdício de alimentos em um mundo  em que tantos não tem o que comer já é um grande passo, nem tão dificil!

sábado, 8 de outubro de 2011

Criança

Minha foto de quadrinhos na semana da criança no Facebook!

Criança é gente! Gente total, gente completa. 
Criança não é vir-a-ser, não é projeto de futuro.
Criança não será, criança é.
Então por que se preocupar com seu futuro?
Porque hoje ela é criança, amanhã será adolescente, depois adulto, velho...
A cada momento de nossa história vamos agregando experiências, vamos aprendendo...
Algumas coisas levamos conosco por toda a vida - as lembranças, aprendizados da infância.
Outras descartamos - não cabe tudo na malinha que arrastamos pela vida.
Algumas coisas são muito pesadas, só iam atrapalhar. 
Outras tem prazo de validade, senão jogarmos fora apodrecem e acabam estragando tudo o que encostar nelas.
Sabe o que é mais legal de ser criança? 
É que na infância somos inteiros, plenos, completos, mas temos uma mala enorme, com poucas coisas dentro.
Uma mala levinha, que podemos levar sem dificuldade de um lado para outro, quase como um brinquedo.
Sim, existem crianças que desde cedo recebem coisas meio podres e pesadas para colocar na sua mala.
Há que ajudá-las a abrir a mala e jogar essas coisas bem longe, para dar espaço ao que realmente vale a pena carregar.
Penso que quando ficar velhinha vou querer jogar uma porção de coisas fora também, para poder levar minha mala, bem mais levinha pela vida afora...

domingo, 11 de setembro de 2011

11 DE SETEMBRO 2001 - 2011


11 de setembro, dez anos dos atentados às torres gêmeas.
Não partilho das ideias de que o fato de os EUA (e o mundo) relembrarem o fato e homenagearem as vítimas seja um exagero, ou um descaso com outros tão graves atentados à humanidade. Cada fato tem seu peso.
Tenho lido que “as pessoas ficam lembrando o 11 de setembro, mas e as vítimas de Hiroshima e Nagazaki”? “E a fome e o genocídio na África”? “Estamos sendo manipulados pela mídia” (e aí vem o velho e antiquado movimento “fora Rede Globo”, que a gente ouvia lá na época da ditadura, e agora, em tempo de internet e mídia globalizada soa até ingênuo).
Sinto aí o velho cheiro do antiamericanismo. Como se as tragédias norte americanas fossem, se alguma maneira, merecidas por conta daquelas que norte americanos causaram.
Tragédias são tragédias, vidas humanas são vidas humanas. Perdidas nos atentados terroristas, nas guerras, nos genocídios, pela fome, pela violência, cada vida humana é importante e insubstituível.
O que aconteceu nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 foi uma tragédia que deve sim, ser lembrada e ser chorada, pois foi mais um momento em que o ódio de alguns trouxe sofrimento para muitos inocentes.
Obviamente houve uma distorção na resposta aos atentados. A geração de uma guerra motivada pelo desejo de vingança foi um erro histórico da era Bush, que inclusive, passado o impacto do atentado terrorista, os próprios norte americanos condenaram.
Mas, independente disso, os americanos têm sim todo o direito de chorar e homenagear seus mortos, e o mundo inteiro não pode negar que esse atentado mudou a história da humanidade. O mundo depois de 11 de setembro de 2001 nunca mais foi o mesmo. 
Talvez pessoas muito jovens, que eram crianças em 2001, não consigam entender a magnitude do atentado, e o quanto ele afetou a todos nós. Valeria à pena estudar, se informar, porque podem não saber, mas suas vidas foram afetadas, sem volta, por esse fato.
Todo meu pesar e toda minha solidariedade às famílias das vítimas do atentado.
Todo o meu pesar e toda minha solidariedade a todos que, direta ou indiretamente, sofrem até hoje as consequências do fanatismo e da insanidade daqueles que se dizem “seus governantes”, “seus líderes”, “seus gurus”.
Que cada vítima da intolerância e da ganância pelo poder possa ter o direito de ser chorada, seja na intimidade de seu lar, seja pela TV ou pela internet em rede mundial!
E que as pequenas intolerâncias que vemos hoje, manifestadas, por exemplo, em discursos “antiamericanos” e outros, possam ser tão combatidas quanto as grandes intolerâncias, pois são também nefastas.