terça-feira, 5 de abril de 2011

CORRENTE


Mande essa mensagem para 10 pessoas e algo acontecerá. Mande essa  imagem para quinze pessoas e peça que mandem para outras quinze incluindo você -se você receber de volta é porque tem amigos, é amado, as pessoas se importam...
Quando eu era criança colocavam envelopes com correntes por baixo da porta, com ameaças terríveis caso a corrente fosse quebrada. Minha mãe sempre quebrava as correntes e nada acontecia. Essas correntes eram anônimas, ninguém colocava seu nome no remetente do envelope.
Hoje as pessoas mandam as correntes de seus próprios emails; já não fazem ameaças terríveis, mas prometem felicidades, amizades e amores, prometem desejos realizados...
O que leva as pessoas a repassarem essas mensagens? Que tipo de sentimento, credulidade...
Sempre achei interessante a imagem da corrente, cujos elos precisam estar ligados para que ela seja, de verdade, uma corrente e não apenas um punhado de rodelinhas. Uma corrente quando arrebenta se enfraquece, perde sua função...
As correntes virtuais, no entanto,são frágeis pela sua própria imaterialidade, feitas de argolas descontroladas, sem sequencia. São apenas o desejo de ser corrente.
Será que é isso que motiva as pessoas a repassarem as correntes, sem a proteção do anonimato de antigamente? O desejo de não ser apenas uma argola, mas um elo?

2 comentários:

Márcio Ahimsa disse...

a corrente
é um ente
querido
entre
o quente
exaurido
e a libido
iminente
de um vazio
sem sentido
igual
dente
perdido
na crente
ilusão
de quem
sente
ardido
os olhos
na perca
indecente
do que
não foi
vendido
nem doado
como gente
que chora
sem razão
rosa
que foi
embora
para
onde
não mora
mas fica
guardado
no coração


Beijo Celina.

Gostei do texto, inspira a prosear, ou poemar, rs.

Celina disse...

ah, que honra inspirar um poeta com minha prosa! beijos