sábado, 6 de abril de 2013

Sobre respeito e democracia


Há quem diga, erroneamente, que democracia consiste em respeitar os desejos da maioria. Não, não, não!
Democracia implica em duas coisas - respeito ao poder que emana do povo e garantia dos direitos individuais. Qualquer coisa que difira disso não é democracia, ponto final.
Assim, quando uma parcela da população tenta impor seus desejos, suas crenças, suas convicções às demais parcelas da população, mesmo que imbuída da suposta maior boa intenção, estamos nos afastando do estado democrático, e mergulhando nas trevas da ditadura (de direita, de esquerda, do fundamentalismo religioso e por aí vai).
Em uma sociedade verdadeiramente democrática todos têm os seus direitos respeitados e, mais ainda defendidos.
Em vários momentos da história vivemos tempos em que o obscurantismo tenta se impor. O que chamo de obscurantismo? Exatamente a busca do cerceamento de liberdades individuais em nome de um pensamento que alguns julgam verdadeiro.
Cada um tem o pleno direito de acreditar no que quiser, de fazer suas escolhas, de encaminhar sua vida para onde quiser, desde que não cause mal a outros. E esse conceito de causar mal também é preciso que se analise com cuidado - saber que existem coisas que eu não gosto, ou que não acredito, ou que acho erradas, não me causa nenhum mal. Tentar impedir que pessoas vivam suas vidas de maneira livre, isso sim causa mal...
Ando muito cansada dessa sociedade hipócrita que fica pregando condutas, supostas éticas. Ando mais cansada ainda de pessoas que acham que são as donas da Verdade (em maiúscula, de propósito, pois para essas pessoas a sua verdade  é a única e absoluta).
Toda vez que me deparo com essas situações, eu canto baixinho, a música do Gonzaguinha:
"Se me der um beijo, eu gosto; se me der um tapa, eu grito. Se me der um grito, não calo. Se mandar calar, mais eu falo. (...) Se é amor deu e recebeu, se é suor só o meu e o teu. Verbo eu pra mim já morreu, quem mandava em mim nem nasceu. É viver e aprender, vá viver e entender, malandro. Vai compreender, vá tratar de viver.  E se tentar me tolher é igual ao fulano de tal que taí, se é pra ir vamos juntos, se não é já não tô nem aqui..."

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