sexta-feira, 22 de maio de 2026

Não entendo...


Não entendo como algumas pessoas podem acreditar que são melhores que outras.
Não entendo como alguém pode achar que sabe o que é melhor para outras pessoas.
Como é possível que uma pessoa possa acreditar que seus valores são os únicos e que todos devem se curvar a eles?
A cada dia me sinto mais perplexa frente à incapacidade de se olhar o outro com empatia, de se permitir ao outro ser quem é.
Porque os discursos de intolerância tem tamanho acolhimento entre tantas pessoas?
Não entendo, e não sei se quero entender.
Mas vejo, e o que vejo me assusta...

um dia como outro qualquer?

Hoje foi assim, aparentemente um dia como outro qualquer. Mas um dia que guardava lá, em uma gavetinha, um significado especial, um telefonema que o tempo não deixou ser esquecido, canções cantadas na noite, marcas que ainda emocionam...
As canções fazem parte de minha vida. Sou feita de trilhas sonoras, me canto pelas vozes de outros, pelas palavras que tomo a liberdade de fazer minhas...
Por isso nesse Canto para Prosear coloco cantos, tantos cantos me traduzem em poesia.
Um dia que não é como outro qualquer e que por isso merece uma canção só para ele.
"Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim
Que perguntar carece: como não fui eu que fiz?
Certa emoção me alcança, corta-me a alma sem dor
Certas canções me chegam como se fosse o amor.
Contos da água e de fogo, cacos de vidas no chão
Cartas do sonho do povo e o coração do cantor.
Vida e mais vida, ou ferida
chuva outono ou mar...
Cartão e giz, abrigo
Gesto molhado no olhar.
Calor que invade, arde, queima, encoraja
Amor, que arde, invade, carece de cantar...
(Milton Nascimento e Tunai)

quinta-feira, 5 de junho de 2014

ESPERANÇA


A esperança é um bichinho danado.
Nós a adotamos, colocamos dentro de casa, alimentamos com a melhor comida.
Fazemos carinho, deixamos dormir na nossa cama.
Às vezes levamos para passear - é sempre bom apresentar a esperança para outras pessoas.
Algumas pessoas se apaixonam pela esperança, outras dizem - ah, esse bicho é traiçoeiro, você cuida dele com tanto cuidado e um dia, sem mais nem menos, ele foge de casa e você nunca mais o encontra.
Bobagem!
A esperança não foge não.
É que ela é um bichinho muito levado que às vezes gosta de brincar de se esconder.
Aí ela se esconde tão bem, mas tão bem, que por mais que a gente procure não consegue achar.
A gente desiste e ela, distraída, acaba dormindo um tempão no seu esconderijo.
Até que um dia a gente está limpando um armário, varrendo embaixo de um móvel, olhando papéis guardados no fundo da estante e, surpresa! Lá está ela.
Ela nos olha com olhinhos sonolentos, espreguiça gostoso como um gato, pula em nosso colo e pronto!
Voltou!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Palavras...



Ando cansada...

Tenho abusado das palavras, tenho me sentido um pouco sem freio.

Ando me expondo naquilo que acredito, mas nem sempre acreditar é justificativa suficiente para a exposição. Mas sim, ando um pouco sem freio...

Justo eu, sempre tão comedida, sempre tão cuidadosa com as palavras.

Aí elas jorram dos meus dedos e quando percebo lá estão elas, dançando na minha frente, rindo de mim, de meus pudores. Rindo porque já não me pertencem, as palavras.

Às vezes tenho ganas de enforcar essas palavrinhas debochadas, mas elas não se importam.

E dançam, e riem, e vão ficando cada vez mais longe de meu alcance.

E lá de longe acenam para que suas irmãs, palavras minhas, saiam e corram ao seu encontro...

sábado, 6 de abril de 2013

Sobre respeito e democracia


Há quem diga, erroneamente, que democracia consiste em respeitar os desejos da maioria. Não, não, não!
Democracia implica em duas coisas - respeito ao poder que emana do povo e garantia dos direitos individuais. Qualquer coisa que difira disso não é democracia, ponto final.
Assim, quando uma parcela da população tenta impor seus desejos, suas crenças, suas convicções às demais parcelas da população, mesmo que imbuída da suposta maior boa intenção, estamos nos afastando do estado democrático, e mergulhando nas trevas da ditadura (de direita, de esquerda, do fundamentalismo religioso e por aí vai).
Em uma sociedade verdadeiramente democrática todos têm os seus direitos respeitados e, mais ainda defendidos.
Em vários momentos da história vivemos tempos em que o obscurantismo tenta se impor. O que chamo de obscurantismo? Exatamente a busca do cerceamento de liberdades individuais em nome de um pensamento que alguns julgam verdadeiro.
Cada um tem o pleno direito de acreditar no que quiser, de fazer suas escolhas, de encaminhar sua vida para onde quiser, desde que não cause mal a outros. E esse conceito de causar mal também é preciso que se analise com cuidado - saber que existem coisas que eu não gosto, ou que não acredito, ou que acho erradas, não me causa nenhum mal. Tentar impedir que pessoas vivam suas vidas de maneira livre, isso sim causa mal...
Ando muito cansada dessa sociedade hipócrita que fica pregando condutas, supostas éticas. Ando mais cansada ainda de pessoas que acham que são as donas da Verdade (em maiúscula, de propósito, pois para essas pessoas a sua verdade  é a única e absoluta).
Toda vez que me deparo com essas situações, eu canto baixinho, a música do Gonzaguinha:
"Se me der um beijo, eu gosto; se me der um tapa, eu grito. Se me der um grito, não calo. Se mandar calar, mais eu falo. (...) Se é amor deu e recebeu, se é suor só o meu e o teu. Verbo eu pra mim já morreu, quem mandava em mim nem nasceu. É viver e aprender, vá viver e entender, malandro. Vai compreender, vá tratar de viver.  E se tentar me tolher é igual ao fulano de tal que taí, se é pra ir vamos juntos, se não é já não tô nem aqui..."

terça-feira, 22 de maio de 2012

Sobre julgamentos...




Fico bastante intrigada com a forma como as pessoas reagem aos fatos. Com a facilidade com que julgam, condenam e pronto. Quase todo mundo parece ter uma firme opinião formada sobre as coisas, e, principalmente, sobre as pessoas – essa é boa, aquela é falsa, aquela outra, obviamente, é marketeira, só quer aparecer...
Que coisa incrível a capacidade que temos de apontar o dedo para os outros e, sobre eles, derramar toda nossa sabedoria, regras, julgamentos. Sentar na cadeira do juiz e de lá declarar: você está condenado, porque eu acredito, a partir de meus próprios valores, que você é culpado. E pronto.
E seguimos nosso caminho, felizes e realizados, certos de sermos pessoas conscientes, sérias, de opinião firme e imbatível.
Deus me livre dessa seriedade, dessa opinião firme, dessa capacidade de julgar!
Prefiro me manter no lugar de quem observa e evita julgar à distância.
Gosto de pensar que cada um traz dentro de si um universo e me faz muito mais realizada observar esse universo do que reduzi-lo às minhas próprias convicções.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Minhas utopias para 2012




 UTOPIAS PARA 2012

Essa deliciosa música de Tom Zé acompanha minhas utopias para 2012. 
Sim, utopias, porque desejos, tenho todos os dias...
Então tenho o sonho que em 2012 a felicidade se espalhe sobre os homens.
Sonho que as pessoas sejam mais compreensivas.
Sonho que as pessoas sejam mais capazes de perdoar, e que façam isso com sinceridade.
Que sejamos tolerantes com as diferenças, por maiores que elas sejam e que, assim,  os preconceitos sejam abolidos de vez.
Que continuemos a nos indignar perante e injustiça, a violência, a indignidade, mas que a indignação não seja mais suficiente para acalmar nossos corações, que possamos atuar para que não tenhamos mais com o que nos indignar.
Sonho com a possibilidade de viver em um mundo verdadeiramente democrático, no qual não se busque o desejo da maioria, mas o bem de cada um.
Sonho com um mundo no qual a Ética seja a palavra que comanda as ações.
É, termino 2011 partilhando minhas utopias.
Porque a felicidade é bem mais particular.
Ela é cheia de a, é cheia de é, é cheia de i, é cheia de  ó, é cheia de u......



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sobre violência (ou violências)


A violência me assusta. 
Ela assume muitas faces - a mais óbvia, a da maldade. 
Somos bombardeados por ela todos os dias nos noticiários da TV, na internet, nas conversas na sala do cafezinho. 
A face má da violência nos assusta, oprime... 
Nós a reconhecemos facilmente e podemos afirmar, quase sem pensar, que a queremos bem longe de nós e daqueles que amamos.
Mas a violência tem outra face, nem sempre óbvia - aquela que vem travestida do discurso da justiça, do combate à maldade. 
E, para tanto, a solução violenta parece que se torna razoável, aceitável, e porque não dizer, louvável. 
É a violência que aparentemente seria justiicada.
Não há justificativa  para a violência.
Quem propõe o ato violento como forma de fazer justiça se iguala ao que o pratica por maldade. 
Porque, na verdade, não busca a justiça, mas a vingança.
Porque será que isso parece tão difícil de ser entendido?

domingo, 13 de novembro de 2011

Envelhecendo?



Aí, um dia, você acorda e se pergunta: e agora? Era aqui que eu queria estar? Era essa a pessoa que eu queria ser?
Fico olhando as pessoas a minha volta, pessoas que são parte da minha história, passada e atual, e vejo que estamos todos envelhecendo.
O tempo ninguém segura.
Sim, estamos bem! Estamos inteiros, vivos, fazendo coisas, construindo e reconstruindo nossa vida.
Sonhando...
Mas sim, estamos mais velhos...
Isso muitas vezes é assustador, como se a vida estivesse em correria, ladeira abaixo, sem freio.
Nunca tive medo de morrer, continuo não tendo. Mas envelhecer...
Não por conta de beleza, não tenho nenhum sonho de juventude eterna. É outro medo que não sei ao certo, e que se concretiza no envelhecimento das minhas referências de vida -  meus pais, amigos, artistas favoritos, mestres...
Minhas gírias estão envelhecendo, minhas expressões, minhas histórias...
Um misto de saudade do antigo misturada à curiosidade do novo, mas um sentimento que minhas referências estão mais ligadas ao antigo do que caminhando para o novo.
É, tenho 51 anos...

domingo, 16 de outubro de 2011

Blog Action Day - FOME


A fome doi. Doi fisicamente, doi psicologicamente, doi moralmente.
A fome é um dos maiores exemplos da indignidade a que alguém pode estar submetido.
A fome é inadmissível! E é problema de todos nós.
Nós que desperdiçamos tantos alimentos no nosso dia-a-dia. Conforme reportagem publicada pelo UOL um estudo do Tompkins County, NY, mostrou que 40% do desperdício de alimento ocorre em casa. Outro estudo, realizado pelo Cornell University Food and Brand Lab, descobriu que 93% dos entrevistados reconheceram comprar alimentos que nunca consumiam.
Reduzir o  desperdício de alimentos em um mundo  em que tantos não tem o que comer já é um grande passo, nem tão dificil!

sábado, 8 de outubro de 2011

Criança

Minha foto de quadrinhos na semana da criança no Facebook!

Criança é gente! Gente total, gente completa. 
Criança não é vir-a-ser, não é projeto de futuro.
Criança não será, criança é.
Então por que se preocupar com seu futuro?
Porque hoje ela é criança, amanhã será adolescente, depois adulto, velho...
A cada momento de nossa história vamos agregando experiências, vamos aprendendo...
Algumas coisas levamos conosco por toda a vida - as lembranças, aprendizados da infância.
Outras descartamos - não cabe tudo na malinha que arrastamos pela vida.
Algumas coisas são muito pesadas, só iam atrapalhar. 
Outras tem prazo de validade, senão jogarmos fora apodrecem e acabam estragando tudo o que encostar nelas.
Sabe o que é mais legal de ser criança? 
É que na infância somos inteiros, plenos, completos, mas temos uma mala enorme, com poucas coisas dentro.
Uma mala levinha, que podemos levar sem dificuldade de um lado para outro, quase como um brinquedo.
Sim, existem crianças que desde cedo recebem coisas meio podres e pesadas para colocar na sua mala.
Há que ajudá-las a abrir a mala e jogar essas coisas bem longe, para dar espaço ao que realmente vale a pena carregar.
Penso que quando ficar velhinha vou querer jogar uma porção de coisas fora também, para poder levar minha mala, bem mais levinha pela vida afora...

domingo, 11 de setembro de 2011

11 DE SETEMBRO 2001 - 2011


11 de setembro, dez anos dos atentados às torres gêmeas.
Não partilho das ideias de que o fato de os EUA (e o mundo) relembrarem o fato e homenagearem as vítimas seja um exagero, ou um descaso com outros tão graves atentados à humanidade. Cada fato tem seu peso.
Tenho lido que “as pessoas ficam lembrando o 11 de setembro, mas e as vítimas de Hiroshima e Nagazaki”? “E a fome e o genocídio na África”? “Estamos sendo manipulados pela mídia” (e aí vem o velho e antiquado movimento “fora Rede Globo”, que a gente ouvia lá na época da ditadura, e agora, em tempo de internet e mídia globalizada soa até ingênuo).
Sinto aí o velho cheiro do antiamericanismo. Como se as tragédias norte americanas fossem, se alguma maneira, merecidas por conta daquelas que norte americanos causaram.
Tragédias são tragédias, vidas humanas são vidas humanas. Perdidas nos atentados terroristas, nas guerras, nos genocídios, pela fome, pela violência, cada vida humana é importante e insubstituível.
O que aconteceu nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 foi uma tragédia que deve sim, ser lembrada e ser chorada, pois foi mais um momento em que o ódio de alguns trouxe sofrimento para muitos inocentes.
Obviamente houve uma distorção na resposta aos atentados. A geração de uma guerra motivada pelo desejo de vingança foi um erro histórico da era Bush, que inclusive, passado o impacto do atentado terrorista, os próprios norte americanos condenaram.
Mas, independente disso, os americanos têm sim todo o direito de chorar e homenagear seus mortos, e o mundo inteiro não pode negar que esse atentado mudou a história da humanidade. O mundo depois de 11 de setembro de 2001 nunca mais foi o mesmo. 
Talvez pessoas muito jovens, que eram crianças em 2001, não consigam entender a magnitude do atentado, e o quanto ele afetou a todos nós. Valeria à pena estudar, se informar, porque podem não saber, mas suas vidas foram afetadas, sem volta, por esse fato.
Todo meu pesar e toda minha solidariedade às famílias das vítimas do atentado.
Todo o meu pesar e toda minha solidariedade a todos que, direta ou indiretamente, sofrem até hoje as consequências do fanatismo e da insanidade daqueles que se dizem “seus governantes”, “seus líderes”, “seus gurus”.
Que cada vítima da intolerância e da ganância pelo poder possa ter o direito de ser chorada, seja na intimidade de seu lar, seja pela TV ou pela internet em rede mundial!
E que as pequenas intolerâncias que vemos hoje, manifestadas, por exemplo, em discursos “antiamericanos” e outros, possam ser tão combatidas quanto as grandes intolerâncias, pois são também nefastas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Nostalgia


Tem dias que tenho saudade de coisas indefinidas. 
De músicas, de cheiros, de lugares.
Aquela saudade nostálgica, carregada de recordações.
Aquela saudade melancólica de coisas que ficaram perdidas em algum lugar, no tempo.
Hoje estou assim, nostálgica.
Com vontade de ouvir músicas da minha juventude.
De lembrar de momentos da infância.
A sensação do tempo escorrendo por entre meus dedos, grãos de areia que não posso segurar...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Tanta caretice....


Quem diria que a evolução dos tempos e dos costumes iria nos jogar no meio da caretice, no meio da babaquice?
Ouço coisas no século XXI que deveriam ter sido esquecidas no século XIX... 
Preconceito, intolerância, dogmatismo. 
Discursos que usam a religião para sustentar ideias que já eram para ter sido esquecidas, superadas.
Gente gritando nas esquinas que isso ou aquilo é errado, que jeitos de ser devem ser abolidos.
Quanta caretice, meu Deus, quanta babaquice...
Juro que achava que o século XXI traria a pós-modernidade.
O que vejo é a pós-idade média.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

NADA!


Vontade de escrever, mesmo sem ter um assunto definido.
Tanto assunto por aí, e eu aqui querendo escrever sobre nada.
Às vezes gosto disso de nada - pensar nada, fazer nada, escrever sobre nada...
Nada!
Engraçado que nada não me dá sensação de vazio, de solidão...
Nada me dá sensação de paz, de silêncio, de sossego.
Tão bom ter nada para fazer...
Tão bom se preocupar com nada...
Tão bom e tão raro!
Assim, dedico esse texto à divina sensação de nada!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Invasões, limites e liberdade


O que são limites? 
Parece que, de alguma forma, perdemos a noção do que seja limite. 
Em um mundo no qual o espaço virtual aceita tudo e a mídia confunde liberdade de expressão com autorização para tudo, ando assustada.
Pertenço a uma geração que viveu sob ditadura, logo sei muito bem o quão preciosa é a liberdade, e a defendo a cada dia.
Mas também defendo o respeito à dignidade humana, aos sentimentos alheios, à privacidade quando essa é desejada.
Falo disso pois hoje me choquei com uma notícia: "humoristas" (assim eles se intitulam) invadiram o funeral de uma jovem artista, apenas pelo gostinho de provar que podem entrar em qualquer lugar que queiram. 
Um deles se auto-intitula "invasor"...
Acho que não há pior forma de relacionamento humano do que o relacionamento invasivo, aquele que desconhece as barreiras tão necessárias à preservação do espaço (interno e externo) de cada um.
E nesse suposto "humorismo", ser invasor é algo de que o sujeito se vangloria!
Não reconheço essa liberdade como legítima, acredito que a verdadeira liberdade não nos limita, mas reconhece limites, pois a verdadeira liberdade nos leva à construção de sociedades e relações melhores.
Não defendo, nunca defendi e nunca defenderei qualquer tipo de censura. 
Se eles querem continuar fazendo esse tipo de "humor", que façam, sempre haverá uma plateia pronta para aplaudir qualquer coisa.
Mas sinceramente não consigo entender...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

cat

sábado, 16 de julho de 2011

caminhar?


Não sei do sentimento que me move.
Não sei...
Sei que caminho. Para onde? Quem sabe...
Às vezes penso que não importa muito para onde se vá, desde que não se fique parado.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Desamparo...


Comecei o dia, como sempre, lendo os jornais.
Às vezes tenho vontade de mudar esse hábito, embora o considere essencial para permanecer conectada com a vida.
Nunca fui adepta da estratégia do avestruz: frente ao perigo, enterre a cabeça na areia.
Mas hoje, a primeira notícia que li foi: menina de 10 anos morre por não receber a medicação de uso contínuo a que tinha direito por ordem judicial. Como é possível isso? Como a burocracia da importação de medicamentos pelo governo pode ser mais importante do que a vida de uma criança de dez anos? Não entra na minha cabeça...
E daí me veio a constatação do desamparo...
Desamparo de cada um de nós como sujeito e de todos nós como sociedade.
Vejo, e já falei disso aqui, as pessoas "marchando" reivindicando uma suposta liberdade, mas como ser livre frente ao túmulo de uma menina de dez anos de idade que morreu vítima do desamparo?
Pelo que marcharemos hoje?
O que diremos a essa mãe?
O que diremos à mãe do menino de 11 anos baleado por policiais, que teve seu corpo escondido e que nem pode ser adequadamente chorado por sua família, porque essa, agora, encontra-se escondida, desamparada, pois os matadores estão soltos e tem poder e a família do garoto tem só sua dor e seu medo.
O que diremos a nós mesmos frente a tanto sofrimento?
Sinto minha alma sem força para compreender.
A revolta já não me alimenta mais.
Resta a sensação de desamparo...

sábado, 25 de junho de 2011

Passagem


A  vida passa  entre os dedos, como areia.
As pessoas passam pela vida como pés de vento.
As alegrias passam pela gente como pedrinhas de gelo no sol.
E nós aqui perdendo tempo com mágoas, com lembranças ruins.
Gastando momentos preciosos pensando no que não foi, no que poderia ter sido...
Prefiro esquecer e caminhar.
A vida é hoje.

Geraldo Azevedo: corra, não pare, não pense demais. Repare essas pedras no cais, que a vida é cigana.
É caravana, é pedra de gelo ao sol....